domingo, 30 de agosto de 2015

objetivos difíceis


Um dos meus objetivos para 2015 era ter uma relação pacífica com o meu pai. Bem, isso está longe de acontecer. Sempre lidei relativamente bem com a má disposição constante e feitio difícil dele, mas parece que está cada vez pior. À mínima coisinha que uma pessoa diga, ele sente-se atacado e desenvolve um monólogo de vinte minutos sobre o quão difícil é lidar connosco, as péssimas filhas que nos tornamos e como só dizemos m*rda. Não há nenhum tópico sobre o qual ele não tenha uma opinião e, quando ele tem uma opinião, é regra universal. Ai de quem o contrarie, porque ele tem sempre razão sobre tudo, até sobre assuntos que a minha irmã domina completamente por ser médica. 
Às vezes nem é preciso dizer nada, ele começa a disparatar pelo simples facto de estar a ver uma série: "só queres saber desse computador, essa porcaria vai acabar! deixa-te chegar às aulas que tu vês a net ser cortada às 22h, tu vais entrar nos eixos!". Ele tem o dom de realmente fazer as pessoas sentirem-se mal consigo próprias e se eu não soubesse que muita gente gosta, de facto, de mim podia ter sérios problemas com autoestima. Ele fala de nós como se fossemos as piores pessoas do mundo, como se não houvesse ninguém mais terrível à face da Terra. 
O que mais me enerva é que ele pensa que pode dizer o que quiser a toda a gente, fazê-los sentir como se não valessem nada, mas se alguém lhe disser alguma coisa a ele, faz o monólogo-vítima: "é mesmo difícil viver convosco, só sabem picar e atacar... sou um filho da mãe, menos quando é preciso dinheiro". E assim vai, todos os dias. Não passa um sem que haja uma discussão cá em casa, sempre culpa dele. Porque ele nem sequer tenta não o fazer, porque ele não é razoável, porque ele não aceita que as outras pessoas também possam ter algo a dizer. É uma pena, porque isto realmente impede-me de ter uma relação próxima com ele, como gostava. Não posso contar com ele para falar do que me aborrece com amigos nem das minhas dúvidas sobre o futuro, só sobre planos concretos de ir para medicina, que é o que ele gosta de ouvir. Estamos cada vez mais afastados e também por opção minha. Ele há-de perceber que magoa com o que diz e que não está bem para mim que o faça.

3 comentários:

  1. Também tenho assim um pai... infelizmente não há nada que possamos fazer, por muito que nos custe estar sempre a ouvir deles e sempre a ter que aguentar... o melhor que podes fazer é não ligar muito a isso, não te importes com o que ele diz, e ele vai deixar de fazer isso, porque não tem a atenção que quer.. vive a tua vida e não deixes que os comentários negativos que ele te faz influenciem as tuas escolhas e decisões sobre o futuro. E sobretudo, vive com a esperança que um dia podes mudar a tua vida e podes afastar-te por uns tempos, que é uma opção, para saíres desse ambiente...

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  2. Parei no blog de pára-quedas e adorei o que li, Parabéns!

    Quanto este post, bati com os olhos nele e parece que estavas a descrever o meu pai e a minha relação com ele.
    Possa que isto é difícil!
    Eu gosto de culpar a andropausa, a serio que gosto, porque assim penso que a culpa nem é minha nem é dele, é das hormonas masculinas.

    vou seguir*

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