sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Como lidar com a depressão?


Ter uma amiga doente desde que a conheço não é fácil. E sim, eu disse doença. Depressão não é uma birra, uma fita, uma procura desesperada por atenção: é uma doença com a qual não é nada fácil de lidar.

Com 17 anos já passou por mais do que, tenho a certeza, todos nós. Cancro da mãe, doença psiquiátrica do pai, doença do avô, problemas familiares, anorexia e agora depressão. A Francisca nunca aprendeu a gostar de si porque nunca soube que alguém gostava. Está em tratamento, mas a medicação não ajuda e a psicóloga não me parece grande profissional. O irmão mais velho anda a leste, em festivais com os amigos, pouco preocupado com os seus. A mãe fica por casa, todos os dias, e não gosta que ela saia muitas vezes. Com o pai fala pouco, já esteve em perigo de vida várias vezes por vontade própria e ela não consegue perdoá-lo por querer deixá-la sozinha. Resto-lhe eu, mais duas ou três e o Tiago. O Tiago vai para a faculdade este ano e ela está devastada, não sabe o que fazer.

Há dias e dias. Há dias em que vamos sair e me parece a pessoa mais feliz do mundo, publica fotografias, vê filmes e come chocolates. Há outros em que acaba com o Tiago por não querer magoá-lo e chora todo o dia no chão da casa-de-banho. Diz que quer morrer porque se odeia e sabe que não fará falta a ninguém. Diz que nunca vai passar, que não está cá a fazer nada e que está farta de si e de ser um fardo para os outros. Tem ciúmes de tudo. Chantageia o Tiago, diz-lhe que ele, se gostasse mesmo dela, nunca iria para a universidade; diz-lhe que se não aparecer em casa dela em 10 minutos, se mata; critica-o por se dirigir a mim diretamente, numa conversa de grupo; critica-o por ir à casa de amigos; desconfia dele se estiver online e não falar com ela. Ontem, o Tiago fartou-se e disse-lhe que não podia ser assim e ela decidiu acabar com ele. Passado cinco minutos arrepende-se e pede desculpa, chora, diz que só faz mal aos outros. É um ciclo e a relação deles é tóxica, mas nenhum quer terminá-la.

Queria poder ajudá-la, mas não sei o que fazer. Não sei o que fazer mais sem ser o que já faço. Explico-lhe sempre o quão importante ela é para todos, o quão linda é, o quanto o Tiago gosta dela, o quanto todos estamos aqui para a apoiar e para ajudá-la a melhorar. Vamos ao café, vemos filmes, vamos passear, comemos gelados, fazemos sessões fotográficas, mas não adianta. Não há meio. E se lhe der na telha, vai começar a imaginar coisas onde não existem e a distanciar-se de todos. Já escolheu como quer morrer quando atingir o seu limite. Diz que só está cá por nós. Não sei lidar com a depressão.

3 comentários:

  1. A minha tia tem depressão, já há muitos anos, é crónica e sei que a vida dela vai sempre ser passada entranto e saindo do "poço" para o qual a depressão a atira. Há semanas boas, semanas más. Dia em que não saí de casa, em que nem da cama quer sair, dias em que não come, em que é rude, em que se enconde debaixo dos cobertores. Mas também à dias bons.
    Cada um é como cada qual, e nem nas depressões o procedimento é o mesmo.
    Devias falar com a tua amiga, com um familiar dela, ela devia ter acompanhamento psicológico, e não me refiro a um psiquiatra que apenas a encharcaria de medicamentos e a drogaria (ela é muito nova para isso) mas sim um psicólogo. Alguém que a possa ajudar.
    Os amigos são muito importantes. Dêem-lhe apoio, mas não a deixem fazer tudo, não deixem que a depressão seja uma desculpa para todas as atitudes. Sejam duros à vezes. Puxem-na para a realidade. Façam-na sentir algo. Algo para além de tristeza, dormência e vazio.
    Acima de tudo coragem e paciência.
    Ela tem sorte em ter amigos como tu.

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  2. Se os amigos já não conseguem ajudar e a situação continua a piorar, o melhor é procurar um especialista diferente. Um Psicólogo ou até mesmo um Psiquiatra (que não é só para maluquinhos e que, ao contrário do Psicólogo, pode passar receitas se for necessário - eu já fui a um e nunca tomei um comprimido sequer, simplesmente foi mais eficiente do que o Psicólogo), por exemplo. Obrigá-la a sair de casa é essencial e chamá-la para a realidade também, nos dias bons e nos dias maus. Como a Ísis disse: a depressão não desculpa tudo e o apoio é essencial.
    Mas mais do que de amigos, ela precisa da ajuda de quem conhece bem os problemas psicológicos...
    Espero que melhore. E espero que as pessoas não se afastem dela... Tu estás a ser uma óptima amiga :)

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  3. é uma temática delicada. vocês estão a fazer o que podem e é essencial ter amigos e família por perto mas honestamente penso que o mais indicado seria procurar ajuda profissional. espero que ela melhore

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