sábado, 31 de janeiro de 2015

as minhas professoras


Fora o constante cheiro insuportável a tabaco, nunca tive nada contra a minha professora de Educação Física. Até simpatizava com a senhora. Sempre achei que ela tinha uma postura diferente de todos os seus colegas de trabalho, porque sempre me pareceu ter a perfeita noção de que ninguém liga patavina à disciplina, a não ser que queira seguir desporto. Ninguém lá anda para fazer maratonas nem para tirar 20's, até porque já não conta para a média interna. Mas tem-me saído cá uma prenda! Há três semanas virou-se para nós e disse "escolham dança ou ginástica acrobática". Nós escolhemos dança: "então comecem". Assim. Não deu nenhum tipo de dança, não ensinou nenhum passo, não sugeriu nenhum género de música nem ajudou na coreografia. Claro que duas aulas depois, com um grupo desfuncional, não estava nada feito. Mas por alguma razão aparente, a culpa caiu sobre mim: "és indisciplinada, não tens um método de trabalho". Os outros ficaram a olhar e a encolher os ombros para mim do género "caga, não te passes". Mas eu não sou eu se não responder. Então tivemos uma mini-discussão. Mini porque nenhuma de nós levantou a voz nem exagerou, foi à volta do "desculpe professora, mas isso não é verdade. Eu não sou indisciplinada, só não sou coreógrafa. Como pode ver, o grupo é constituído por mais cinco pessoas que fizeram tanto como eu. Não é porque andei no ballet ou porque acham que tenho mais jeito para dançar, que tenho que ser eu a inventar a coreografia. Até porque estou sem ideias, mesmo sem tendo a obrigação de as ter". A única coisa que ela disse depois foi "pronto, já estão a ver que não podem contar com ela para a coreografia, têm que ser vocês". E ficou por ali, apesar de me apetecer sair imediatamente do ginásio.


Quanto à minha professora de Matemática, a loira imaculada que vai às compras a Paris e todos os dias traz um casaco diferente e mais caro do que o anterior, gosto da professora que há nela. Muito prestável, nenhum tipo de queixa quanto à forma de explicar a matéria e sempre muito orgulhosa da sua "melhor turma em 26 anos de carreira". Não gosto da parcialidade. A aluna preferida dela é a M (porque a rapariga é realmente boa aluna, nunca tira menos de 19,5) e, dado que a minha relação com ela está no intervalo de inexistente a péssima, ela assumiu que eu tenho inveja. Inveja de ela ser a melhor aluna do secundário, inveja de ela conseguir entrar em medicina sem problemas, inveja de os professores a elogiarem constantemente e mais umas vinte formas de inveja. Eu não tenho inveja, tenho tudo menos inveja daquela pessoa. Tenho pena. Tenho nojo. Tenho vontade de ficar o mais longe possível dela. Mas não tenho inveja. E inerva-me mesmo que os professores vejam apenas a excelente aluna e não a pessoa mesquinha e insuportável que ela é, ficando eu com o título da má da fita, bully, invejosa e wannabe.


Não gosto da atitude da maior parte das minhas professoras perante mim. Podem odiar-me à vontade, que eu também as odeio, mas façam-no em casa, à mesa com a família, que é o que todos os alunos fazem também. Não numa sala de aula, porque ninguém gosta de ouvir boquinhas e repreensões a toda a hora, principalmente em frente aos amigos e não-tão-amigos. Não sabem nada, mesmo nada, sobre mim e deduzem toda uma personalidade com base no facto de eu ser alguém que quando não está bem com alguma coisa, o diz. Não acho que os tópicos de resposta estão bem formulados? Digo. Acho que merecia mais um valor? Digo. Não concordo com trabalhos de casa enormes em semanas de testes específicos? Também digo. Se calhar não devia dizer tanto, porque depois sou "resmungona", "refilona", "desbocada", "despropositada". Até já fui contemplada com um elogio desta lista por tentar confirmar algo que não tinha percebido bem da primeira vez que a professora explicou. Não é que eu queira ser a queridinha e preferida das professoras, de longe. Mas também não gosto de ser a ovelha negra por ser a única que tem coragem de dizer coisas à frente delas que todos os outros dizem fora da sala ou por, na cabeça delas, ter inveja da melhor aluna. Juro por tudo que nunca fui mal-educada, por isso não percebo. E nunca na vida mostrei ter inveja ou ciúmes da outra, a única coisa que elas sabem é que não somos propriamente amigas. Sinto-me a Vânia da Casa dos Segredos, a diferença é que (valha-me Deus) não sou como ela. 

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