Hoje não é um bom dia. A A contou ao grupo que vai, provavelmente, viver com a tia e, consequentemente, mudar de cidade e escola, porque a mãe dela vai viver para Angola, com o pai. Bem, ela é a minha melhor amiga e não me imagino sentada à beira de mais ninguém nas aulas nem me imagino a única rapariga no meio de um enorme grupo dos rapazes, nos almoços de terça e quarta-feira. Ela é a única pessoa que percebe (e acha piada) às coisas mais absurdas que eu digo e é a única que conta piadas piores que as minhas. Ela é aquela pessoa que ri durante cinco minutos sozinha, antes de contar o motivo, e que tem sempre minas para os lápis e corretor. Podemos partilhar os phones e falar de coisas sérias enquanto fazemos piadas. Ou sem fazermos piadas, de todo. Achamos os mesmos rapazes giros e gostamos das mesmas séries. Ela sabe tudo sobre mim e eu sei tudo sobre ela. Não temos vergonha de chorar à frente uma da outra, embora não seja frequente. Às vezes, ela vem a minha casa e comemos as pipocas todas antes de começar o filme. Fomos a Lisboa juntas ver os One Republic. Ela sempre quis medicina, mas agora não quer. Quer ir para Coimbra e o Porto não será das primeiras opções dela. O destino de sonho dela é Bali e, por isso, o cão dela chama-se Balu (ela é muito criativa). Gostamos secretamente de Fifty Shades of Grey, mas não dissemos a ninguém da turma. Não gosta de pizza, bolo nem gelado. Fica olhar para mim como se eu fosse retardada quando eu canto High School Musical e espera sempre que chegue a comida de toda a gente antes de começar a almoçar. Preferia ser a Angelina Jolie do que a Beyoncé. Gosta de usar sapatos estranhos. Podemos falar inglês o dia todo. Não há nenhum professor que saiba o nome dela. Queremos viver juntas em Nova Iorque. Ela não se importa que eu fale de Arrow a toda a hora, mesmo que ela não veja. Na verdade, é quase como se visse, por mim, porque sabe tudo o que acontece. Não ficamos muito morenas no verão. Gostamos de deprimir em conjunto a ver fotografias da Candice. Se ela não gosta de alguém, eu também não gosto e vice-versa. Basically, she's kind of my soulmate and I don't want her to leave.
Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amigos. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
everything's upside down
Estamos no início de Setembro e, no meu vidacionário, isso significa regressar à cidade que me vê partir todos os anos em Julho. Regressar à cidade significa, por sua vez, rever todas as caras com quem estou habituada a conviver durante o ano letivo (incluindo aquelas que preferia evitar).
No entanto, este ano, tudo está diferente. Tive o verão da minha vida no ano passado e sabia que iria ser difícil superá-lo, o que logicamente não aconteceu. E isso reflete-se aqui e agora.
Comecemos pelo T, also known as tempo que não ajudou em nada à minha boa disposição diária habitual, nesta altura do ano. Apesar de ser altura de recomeço de aulas, costumo andar contente por estar de volta e matar saudades de tudo e todos... sair por aí e só voltar para casa às 20h. Não está a acontecer.
Outro dos meus maiores problemas começa por N... e este aqui é o mais delicado. Foi o rapaz que me marcou mais, desde sempre. Conhecemo-nos há um ano e pouco e foi no verão do ano passado que nos começamos a dar mesmo bem. Nesta altura, apenas recuando 365 dias, estavamos praticamente comprometidos. Mas não seria a minha vida se não parecesse um filme e, como tal, só começamos a namorar em Maio deste ano. O nosso namoro foi curto mas a relação foi intensa. Foram muitos meses em que, apesar de não estarmos juntos, estávamos juntos. E, agora, sinto a falta disso com'ó caraças. Eu sabia que tinha alguém com quem podia contar, não importa o que acontecesse. Alguém que, acima de tudo, se preocupava imenso comigo e com o meu bem-estar. Perdemos o contacto e tenho que aguentar calada - e quase todos os dias - a imagem dele a apaixonar-se por outra rapariga, porque eu o deixei ir. Mas caramba, será que não fiz bem? Se passado tão pouco tempo ele já anda sempre agarrado a outra (embora me tenham relatado que ele próprio se diz desinteressado), seria real o que ele mostrava sentir? Isto é ridículo, toda esta situação. Até porque conheço a rapariga e cá, nesta cidadezinha, os meus 'amigos' são os dele e os 'amigos' dele são os meus. Fica um ambiente demasiado tenso quando estamos no mesmo sítio. Porque toda a gente nos adorava juntos, porque ele amarra-se a ela à minha frente, porque toda a gente procura na minha expressão algo que indique que estou incomodada com o que está a acontecer ou porque não sabem o que pensar, de todo. Estou completamente perdida.
Conheci o C quando conheci o N, exatamente no mesmo dia, na mesma situação. Enquanto que, com o N, a química foi imediata, vi no C alguém que eu sabia que tinha tudo para se tornar muito importante para mim. E foi o que aconteceu. Apesar de ele namorar, começamos a sair imensas vezes juntos porque foi empatia imediata, demo-nos super bem e ele é daquelas pessoas que põe todos à vontade. Passado uma semana, já me sentia confortável para fazer piadas, contar-lhe umas pequenas partes da minha vida e isso foi crescendo à medida que o ano foi avançando. Acho que toda a gente, no fundo, achava que íamos acabar por ter alguma coisa, mas isso nunca passou pela cabeça de nenhum dos dois (já falamos sobre isso). Ele tornou-se num dos meus melhores amigos num instante e sem eu saber muito bem explicar 'como' e exatamente 'quando'. Recentemente, ele acabou com a antiga namorada por causa de uma grande amiga minha, a A. Apaixonaram-se um pelo outro, mesmo estando ambos comprometidos. Achava super fofa a relação deles, porque eram duas das pessoas que mais gostava, no entanto, eles fizeram algo que eu nunca faria: isolaram-se. Se o C ía, a A ía. Se a A não ía, o C não ía. Se o C queria sair comigo, tinha que perguntar à A se ela não se importava. Se o habitual grupo fosse sair e eles já tivessem coisas combinadas, não podiam vir ter connosco (como se não passassem 14/24h por dia juntos, sozinhos). Para piorar a situação, o C é grande amigo do N, já há anos, e é estranho para ele convidar-nos a ambos para sair. Há situações em que eu não sou convidada porque o N vai lá estar e parece um pouco que toda a gente está a escolher um lado que não é o meu. Já não estou com o C há cerca de dois meses. Passei o verão todo afastada dele, quando no ano passado o via 2/3 vezes por semana. É triste mas a nossa conexão perdeu-se porque deixamos de falar, porque ele decidiu "ir embora" assim.
Costumava dizer que a A era a minha metade loira. Tal como com o C, a empatia foi imediata. E ia achando a rapariga cada vez mais incrível à medida que a ia conhecendo. No entanto, como em todas as amizades, comecei a reparar não só nas qualidades. Ela não era assim tão perfeita... tinha um quanto de falsidade. Chegou a dizer-me que não suportava uma rapariga da turma dela por isto e aquilo e, no dia a seguir, estava a publicar fotos com ela nas redes sociais (um exemplo insignificante). Por minha causa, ela tornou-se também grande amiga do N e, quando acabamos, acho que ela acabou por 'escolher' também o lado dele. Quando eu acabei a nossa relação, achei que devia afastar-me do grupo com quem passei o verão de 2013. Eu tinha conhecido todas essas pessoas graças a ele e não me sentia bem na companhia do que era, ao fim e ao cabo, o grupo ao qual eu só pertencia por ser amiga/namorada de um deles. E a A encaixou-se de tal maneira nesse grupo que se deixou ser afastada. Tanto por mim, como por ela própria, devido à sua relação com o C. Já não falo com ela desde o início de Julho.
O resto resume-se ao grupo de que acabei de falar. Amigos com quem eu gostava de sair, mas que eram os amigos dele e não os meus, e que, por isso, deixaram de fazer parte do meu dia-a-dia.
Quando digo que está tudo do avesso, quero dizer que não estou habituada a nada disto. Há uns meses atrás saía e falava imenso com estas caras a quem agora dirijo um 'olá' tímido na rua. Bastou um ponto final numa relação para metade das pessoas com quem eu partilhava a minha vida, saírem dela num ápice. No final, não o perdi só a ele. Perdi todos.
Assinar:
Postagens (Atom)


